A origem e a evolução dos MBA

Os primeiros programas MBA tiveram origem nos Estados Unidos no início do século passado, como especialização de dois anos do curso superior de contabilidade.

Os primeiros programas MBA tiveram origem nos Estados Unidos no início do século passado, como especialização de dois anos do curso superior de contabilidade. Apesar da forte procura, durante várias décadas estes programas foram vistos como educação de nível bastante duvidoso.

Um relatório nacional publicado em 1959 nos Estados Unidos – que acusava os MBA de falta de rigor académico e de serem pouco relevantes para a área dos negócios – levou as Escolas de Negócios a  tomarem medidas para aumentar a qualidade e o reconhecimento do diploma.

Três reformas importantes viriam a alterar drasticamente o curso destes programas: a redução do número de vagas, a criação de concursos de admissão bastante exigentes (tanto para os alunos como para os próprios professores), e por último a aposta na vertente académica em detrimento da proximidade do mundo dos negócios que tinha estado na base da sua criação. Harvard, a mais conceituada das Escolas de Negócios, foi a percursora dessa nova orientação.

É a partir da década de 60  que os primeiros MBA começam a surgir na Europa*. Apesar do programa ser o mesmo, o conceito europeu teve desde o início diferenças importantes em relação ao modelo norte-americano, com a exceção da Inglaterra. Nos entanto, nos anos 80, a contestação a esta escolha levou algumas das principais Escolas de Negócios inglesas a voltarem-se para modelo “europeu”. Um anos mais tarde foi a vez das Escolas norte-americanas fazerem o mesmo. Apesar deste alinhamento, este tema continua a gerar acesos debates nos vários estabelecimentos de ensino mundiais, sobretudo à medida que as Escolas de Negócios vão sendo integradas nas Universidades.

Duas décadas após o lançamento dos primeiros MBA na Europa essas diferenças eram já bastante notórias, a começar pela duração* mais curta, não obstante o plano curricular ser idêntico. A vocação era e continua a ser mais prática do que académica e mais próxima das Câmaras do comércio das próprias empresas.

Vários factores estiveram na origem desta mudança: A diminuição gradual da contratação de jovens diplomados por partes das grandes instituições financeiras e das consultoras, obrigando as escolas a diversificar os programas e a sua orientação; a falta de aplicação prática de um ensino demasiado voltado para a investigação; e  por último, a crescente concorrência das Escolas Europeias, que começavam a aparecer no topo dos rankings mundiais dos MBA.

Embora alguns grandes escândalos (quase sempre provenientes de grandes multinacionais norte-americanas) tenham levado algumas Escolas de Negócios a incluírem cadeiras de ética nos seus programas, foi necessária uma grande crise (2008) para que as questões de ética ligadas à gestão se impusessem.

Com o falhanço dos modelos financeiros vigentes, as competências quantitativas e analíticas, já em queda de importância nas últimas décadas, passaram também para segundo plano, dando lugar aos soft skills e de liderança no ranking das competências mais importantes a desenvolver durante o programa.

Outra das tendências que tem vindo a ganhar grande preponderância desde o início do século é a valorização dos perfis multi-culturais e multilingue. Ao ponto dos próprios rankings dependerem da percentagem de professores e alunos de diferentes nacionalidades e do formato internacionalizante do programa.

A mais recente tendência que tem vindo a afirmar-se nas Escolas de Negócios desde a crise é a aposta no modelo conhecido por “lean start-up”. Em vez do estudo aprofundado e da preparação exaustiva do plano de negócios antes de lançar um produto ou serviço acabado, a “lean Start Up” privilegia a preparação de um protótipo, a sua validação (MVP - produto mínimo viável), o lançamento rápido para o mercado de um versão ainda imperfeita e o seu aperfeiçoamento gradual com base na repetição contínua dos mesmos processos: testar, escutar, melhorar e voltar a testar.

Europa: o Insead, em Fontainebleau, arredores de Paris, foi o pioneiro ao lançar um MBA, em 1959. Seguiram-se a London e a Manchester Business School, o IMD, na Suíça, e o Instituto Empresa, em Madrid. Qualquer uma delas aparece regularmente no topo do ranking das melhores Escolas do mundo, cujos programas ascendem aos 100,000 euros.

Duração: Uma das principais diferenças entre os MBA europeus e dos Estados Unidos é a duração. Enquanto, na Europa os programas duram entre 10 e 18 meses, do outro lado do Atlântico costumam prolongar-se por 2 anos.

A percentagem de mulheres (alunas e professoras), sub-representadas neste tipo de programas, passou também a ser alvo de avaliação, com os rankings a premiarem as escolas que mais se aproximam da paridade.

comments powered by Disqus

Artigos Recomendados

Próximo em Formação