A ecologia e o fim do prazer

Por Raul Reis

A liberdade que representa o automóvel está em perigo? A independência do veículo privado está condenada nesta época de transição para novos combustíveis? E que acontecerá ao automóvel como objeto de prazer?

Há uma consciência generalizada de que o automóvel, tal como o conhecemos, tem de mudar. Contudo, e por várias razões, os construtores foram insistindo no motor de explosão, estando agora confrontados com uma necessidade premente (e tardia) de oferecer alternativas.

O mercado de carros elétricos ou híbridos começou a dinamizar-se nos últimos anos, sobretudo graças a políticas públicas que ajudam a tornar os carros movidos a energias alternativas mais baratos.

Em França, a Toyota vendeu mais de dois terços dos seus carros particulares em versão híbrida, beneficiando assim de muitos milhões de euros de ajudas estatais. O construtor japonês, através das suas duas marcas Toyota e Lexus, foi o primeiro a colocar no mercado automóveis híbridos. Apesar de muitos deles serem mais poluentes do que outros carros a gasolina ou gasóleo, conseguiu conquistar uma vasta faixa de consumidores mais inquietos com a influência dos veículos motorizados no meio ambiente.

A principal questão que se colocam os apreciadores de automóveis e os amantes de desportos motorizados é a da continuidade dos objetos da sua paixão.

O veículo particular vai certamente deixar de ser o principal meio de transporte e já está a perder o seu estatuto de símbolo de independência. As novas gerações já não vêem a obtenção da carta de condução aos 18 anos como um rito de passagem à idade adulta.

Mas o carro não vai desaparecer das nossas paisagens.

Os automóveis elétricos serão sobretudo opções de mobilidade urbana ou periurbana, principalmente onde os transportes públicos não chegam. Estes automóveis serão mais ligeiros e mais pequenos.

Exigindo as viagens mais longas outro tipo de veículos, é natural que os carros mais potentes e de maior volume sejam usados nesse tipo de deslocações. Falta saber se valerá a pena adquirir um automóvel para esse fim, ou se, por exemplo, o aluguer será uma opção mais lógica.

E onde entram os desportivos nesta equação?

O prazer de conduzir, ou de pilotar não será certamente sacrificado. Possuir um carro de características desportivas será sempre um privilégio cuja fatura poderá aumentar com a evolução do estatuto do automóvel privado. A prova é o êxito do Fisker Karma, o carro desportivo híbrido cuja lista de encomendas está cheia para mais de um ano

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